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Próximos passos - TRANSIÇÃO

Atualizado: 10 de Mar de 2020








Quanto eu montei a AGV no final de 1998, sempre tive em mente que um dia iria vender a empresa. Achava que era o caminho natural de um empreendedor de sucesso. Quando estava no Mappin/Mesbla estava em dúvida entre empreender ou ir fazer MBA fora e estudava para aplicar para as faculdades nos USA. Acho que por influência do meu pai, mas desde os 10 anos falava que queria fazer Harvard. Sempre fui bom aluno, fiz FGV (administração) e São Francisco (USP Direito) e as faculdades me ajudaram muito profissional e pessoalmente, e nunca parei de estudar. Ao montar a AGV e ela dando certo desde o início, abandonei o plano de ir para fora e em 2001 resolvi fazer meu MBA por aqui.


Começei a pesquisar as opções, e fiquei entre a FGV e a Dom Cabral. Minha melhor amiga e colega de FGV, a Daniela Gallucci, havia feito a Dom Cabral e elogiou demais e optei por ele. Foi maravilhoso para mim por vários pontos, mas vou focar em 3.


O primeiro foi o Pedro Mandeli, professor de gestão de pessoas, maravilhoso, que me abriu ainda mais os olhos para a importância de gente num negócio. Se a AGV é o que é, devo 100% as pessoas e a Cultura que criamos. Sem minha equipe não teria feito nada, e cada dia mais acho que gente é quase tudo nos negócios.


Segundo e fundamental foi ter feito como trabalho de conclusão o planejamento estratégico da AGV (aliás nem sei se posso dizer que fiz MBA pois não fui defender a minha tese e buscar meu canudo, mas acho que a AGV tá valendo não?). Foi lá que tive contato com um livro maravilhoso de estratégia, a Disciplina dos Líderes de Mercado do Michael Treacy, que falava das 3 opções estratégicas, sendo uma delas a que escolhemos, a intimidade com o cliente, que passamos a usar internamente como um mantra. Já fazíamos muita coisa intuitivamente, mas este planejamento deu mais clareza, ajudou a estruturar melhor o plano e em especial foco na comunicação para alinhar 100% das pessoas rumo ao mesmo objetivo.


E por último, um professor que não me recordo o nome (sou péssimo para isso!) apresentou um slide que tinha a jornada de um empreendedor bem-sucedido na visão dele: empreendedor > empresário > investidor > investidor profissional.


Quando eu ouvi a tese dele fez muito sentido pra mim e falei, “está aí, vou seguir isso”. Muitos empreendedores são visionários, bastante destemidos, agressivos comercialmente, enxergam uma oportunidade onde outros só veem problema, mas quando a empresa começa a crescer, a ficar mais complexa, não conseguem fazer a transição para o passo seguinte, que é a do empresário.


Como bom empresário , o líder tem que ter capacidade de gestão, de criar governança, de interagir com diversos stakeholders diferentes, de lidar com uma complexidade muitas vezes difícil para muitos empreendedores.


No estágio seguinte, a pessoa passa a ver o negócio que fundou com o olhar do investidor. Analisando risco e retorno, comparando uma vez que tenha a opção com alternativas que teria para rentabilizar o seu patrimônio, sem a emoção e ligação emocional tão presentes nas duas primeiras fases. É óbvio que sempre haverá a emoção, o bias por você ser o pai da criança, mas com maturidade e capacidade de análise, você tenta ao máximo isolar emoção e razão para não tomar decisões equivocadas.


O último estágio seria o do investidor profissional , onde além do próprio capital, você também ganha dinheiro com capital de terceiros, ajudando os mesmos a investir, numa relação ganha/ganha.


Posso dizer que já passei por todas estas fases de uma certa forma e que agora quero continuar a fazer o mesmo. Na AGV do ano de 1998 até 2004 acho que foram anos onde simplificando eu era empreendedor . Dobrava de tamanho, sem muitos controles, foco total em vendas, primeiro vendíamos para depois estruturar como entregar. Era muito dolorido o crescimento, descontrole de fluxo de caixa, tanto que quase quebramos em 2004 pelo caixa, mesmo tendo um negócio excepcional.


Quase ficando louco, resolvemos virar empresários , redesenhar toda a sistemática de gestão usada até hoje, auditar a empresa por uma big four (PwC), trazer um CFO (o amigo até hoje e competentíssimo Fernando Torres), consultorias pra implantar OBZ e Gestão da Rotina, entre outras coisas. Em 2008 ao trazer nosso primeiro fundo de sócio, recebemos 10 propostas. O que mais ouvimos nessa época era como éramos organizados e modernos para uma empresa do nosso porte.


final de 2013, após ter feito todas as mudanças mais estruturais do nosso turn around, como integração de sistemas, demissão de 2100 pessoas, fechar 40 CDS e ter feito o Olimpo sede atual da AGV FMGC, passei para a presidência do conselho. A Tarpon queria vender sua participação por conta de sua estratégia macro, e nós precisamos sobretudo cuidar da nossa relação e do processo de saída. Nessa fase, mais afastado do dia a dia, tive por mais de uma vez a oportunidade de vender 100% minha participação. Já olhava o negócio sob a ótica do investidor. Havíamos feito os ajustes, mas ainda não colhido os frutos, até mesmo porque a troca de carteira de clientes não rentáveis demorou muito mais que o previsto inicialmente. Resolvi então “comprar” AGV em 2016 novamente, pois achava que naquele preço ganharia ainda muito dinheiro, e não poderia estar mais certo.


Em 2016 posso dizer que inaugurei uma fase de investidor profissional , pois fiz um acordo onde ainda ficaria com parte dos ganhos dos novos fundos caso fossem acima de um determinado valor, pois levei pra eles um deal feito e estavam pagando barato. Como estavam dividindo parte de um potencial ganho toparam, na verdade não achando que iriam ter que pagar. Mas a empresa performou ainda melhor que nossas projeções, 100% mérito de um time excepcional que criamos e de uma estratégia vitoriosa. No final, todos ganharam, e os fundos pagaram felizes, até porque até então a AGV foi o melhor retorno da história destes fundos (Kinea e GEF).


Mas e agora? Bom agora é continuar a fazer o que eu sei e gosto de fazer, que é trabalhar, criar negócios e ajudar empresas. E fazer ótimas amizades e dar boas risadas durante o trajeto. Trabalhar na economia real, investindo e ajudando negócios sólidos a alcançar seu potencial a se perenizarem, aproveitando todos os aprendizados e os relacionamentos que construí ao longo da vida. Em 2012 conheci uma empresa americana e me apaixonei pelo seu modelo. Agora vou me dedicar a replicar o seu modelo por aqui. Mas isso eu conto mais numa próxima oportunidade, assim como mais detalhes da nova empreitada.


Vasco Carvalho Oliveira Neto Fevereiro/2020









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